A Bela Adormecida Alexander Rudasov O castelo não parecia ser velho. Antigo sim, mas não velho. Se bem que estava cheio de galhos e árvores quebradas em volta. O príncipe terminou de fazer uma passagem com a sua espada e, cansado, limpou o suor do rosto. Estes galhos malditos por pouco não estavam crescendo mais rápido de que ele estava os cortando. Se ele não tivesse uma espada mágica, provavelmente, ele nem conseguiria fazer a passagem.. Ainda bem que o mais difícil já passou. O príncipe estava com medo de que um dragão estivesse por perto, mas os medos dele não se realizaram. A tocha na mão estava brilhando, jogando as sombras os galhos e os transformando em monstros horripilantes. Esperar até amanhecer com certeza seria uma ideia melhor, mas o príncipe não tinha paciência para esperar tanto. O castelo estava dominado pelo silêncio. Não é de se surpreender com isso em um lugar onde todos os habitantes estão submergidos no sono mágico. O príncipe já tinha encontrado alguns -- guardas, servos, dormindo no chão ou encostados na parede. Todos cairam adormecidos no lugar onde o feitiço da bruxa maligna os atingiu... Escada espiral parecia que estava chegando até o céu, dando voltas por dentro da torre principal. O príncipe estava subindo devagar, observando os quadros e carpetes antigos. Pronto! Aqui está o lugar que ele estava procurando. Sala de dormir. Um dormitório gigante, com chão completamente coberto por carpetes. E, perto da janela, uma cama cor-de-rosa gigante. E na cama - uma princesa linda. O príncipe tirou o elmo e, cuidadosamente, chegou perto da bela adormecida. Ele não começou a andar cuidadosamente de propósito -- isso foi tão natural que ele somente chegou a perceber isso quando parou e olhou para o rosto da princesa. Afinal, não fazia sentido manter o silêncio -- ele chegou justamente para acordá-la. Parado perto da cama maravilhoso, o príncipe sorriu. Era óbvio que o nome "bela adormecida" não seria dado para qualquer uma, mas, para falar a verdade, nem ele esperava essa beleza. Nos lenços mais brancos que a neve estava deitada uma linda moça de uns dezoito anos. Cabelos longos, pretos, estavam cobrindo o travesseiro por completo, lábios cor-de-morango estavam mostrando dentes mais brancos que pérolas, e a roupa de dormir dela não estava escondendo o corpo perfeito... O príncipe ficou olhando, parado, para a princesa por um tempo sem poder se mexer e, quando o silêncio pareceu ter dominado novamente o castelo, disse: - Que sorte! Ele colocou o elmo para a mesa perto da cama, tirou a espada e jogou a capa no chão. O momento a seguir deveria realmente se tornar inesquecível. Os olhos da princesa adormecida se mexeram e ela passou a respirar um pouco mais algo. Ela sorriu -- provavelmente, ela estava sonhando com alguma coisa muito legal. O príncipe ficou com dó de acordá-la por um instante. Mas o feitiço maligno devia ter sido quebrado. O príncipe se abaixou, se segurando no canto da cama, e os lábios dele se juntaram com os da princesa. O corpo dela tremeu sensivelmente, os olhos começaram a se abrir, devagar, a mão se mexeu... Clap!! O príncipe deu um passo para trás, piscando perdidamente. O rosto dele estava parecendo pegar fogo -- a princesa deu um tapa para ele com força inesperada num corpo tão delicado. O rosto dela ficou vermelho também -- seja por raiva ou por timidez. - Quem é você e o que esqueceu na minha cama?? - exclamou a bela. - Desculpa, moça, eu não queria ter te ofendido, - respondeu príncipe, perdido, - eu sou o príncipe, e vim para salvar você e todo o castelo do feitiço da bruxa maligna.. - Você está atrás da princesa? - a bela interrompeu ela. - Sim, atrás da prince.. como assim, e você, não é ela? - Não, seu burro! A princesa fica no andar de topo, três escadas para para cima! - Mas.. mas.. quem é você então?? - Eu sou a bruxa maligna. - Ahh.. Ahhh!! Aaaahhh!!! Sério?? Aquela mesma?? - Aquela mesma! Fui eu quem jogou o feitiço no castelo e na princesa. - Entendi. E porque você estava dormindo aqui então? - Moço, agora está de noite, se você não percebeu ainda. A noite eu geralmente fico dormindo. E todas as pessoas normais também. - Ma-a-a-as.. O que você está fazendo aqui? - Neste exato momento - esperando você sair daqui e me deixar dormir em paz. - Não, eu quis dizer, aqui, no castelo? - E porque eu não poderia estar aqui? Aqui a moradia é gratuita, e tem tudo o que eu preciso.. O vinho que fica no subsolo é muito bom também. - Ahh entendi, - disse o príncipe, confuso, - Então é você mesmo a bruxa? Estava te imaginando um pouco.. diferente. - Diferente como? - Diferente diferente. Eu nunca diria que você tem mais de cem anos... - Como você se atreve?? Eu não tenho nem vinte anos ainda!! - Como assim?? Mas você não amaldiçoou este castelo faz cem anos?? - Os boatos exageram tudo. Foi só no ano passado. Olha ao redor -- nem ficou tão sujo ainda! - Ah. Sim. Entendi. Onde você disse que está a princesa de verdade? - No topo da torre. Três andares para cima. - Entendi. Então, vou me indo? - Já vai tarde, e me deixa dormir finalmente. O príncipe pegou a capa, espada e o elmo, olhou para os lados e saiu, olhando para trás a cada passo que dava. A bruxa maligna olhou para ele, ainda sentindo o gosto do beijo na boca, arrumou o travesseiro e caiu em cima dele, dizendo em voz baixa: - Esse povo que fica andando, atrapalhando o sono... Enquanto isso, o príncipe subiu mais três andares e se encontrou num outro dormitório - ainda mais luxuoso de que o anterior. Ele chegou perto da cama da bela adormecida, olhou para ela e ficou parado por alguns minutos, pensando sobre alguma coisa. E depois virou e desceu de volta. A bruxa maligna abriu o olho esquerdo, ouvindo a porta se abrindo novamente. Depois abriu o outro e olhou para o príncipe com cara brava: - O que foi? Esqueceu de algo? - Não, não esqueci não.. - Não achou a princesa então? Mas você é burro mesmo, não falei que ela estava três andares para cima? - Não não, achei ela também.. - E porque você voltou então?? - É que gostei mais de você, - disse o príncipe, enquanto a cara dele ficou vermelha.