Sobre um cachorrinho Serguei Lukianenko Ele era azarado desde o nascimento. A mãe estava nervosa desde o nascimento. Cada barulho parecia ser um perigo, do qual ela deveria esconder os filhos - quatro pequenos, quentes, cegos bolinhos de pele, por um desejo da evolução parecidos com rotweillers pequenos. Se bem que, na verdade, ele eram yorkshires. Tudo estava indo bem. A mãe era uma mãe boa. Mas as vezes (principalmente, quando a reconstrução das casas dos vizinhos causava muito barulho), ela começava a ficar nervosa. E começava a carregar os filhotes, segurando-os na boca - da casinha deles, onde aparentemente tudo estava seguro e cômodo para o lugar mais-mais-mais seguro no mundo. Para a cama. Lá, onde eles nasceram, pertinho do dono que estava dormindo (até que o segundo filhote nasceu). E foi justamente ele - o único menino - que por pouco não foi machucado pela mãe. Aparentemente, ela o segurou pelo pescoço por tempo demais, pelo pescoço frágil e indefeso do filhote... Ele começou a andar, mas a cada movimento brusco ele caia. Um veterenário sugeriu: "matem ele. Enquanto ele é pequeno ainda, vai doer menos para vocês". Outrou veterenário sugeriu alguns remédio e disse que ainda tem esperança. O dono dele era um médico-psicologo a um tempo atrás. Ele não acreditava nestes remédios modernos. O cachorrinho passou a ser alimentado pelo leite com nootropilo e caviton, e passou a ser massageado a todo dia. E amado. Uma semana depois entre quatro cachorrinhos, que estavam latindo e correndo pelo apartamento inteiro, nenhum veterenário do mundo conseguiria reconhecer o ex-candidado a morrer. Bem, talvez pela aparência dele que era diferente dos demais. Os filhotes foram examinados, avaliados, e ganharam passaportes de cachorros bonitinhos com linhagem grande e começaram a espera pelos novos donos. Todos eles foram chamados pelos nomes começando com a letra "S" - foi sorteado assim. Os primeiros donos o chamaram de Sherlock Holmes. A nova dona o chamou de Schumacher (porque ninguém conseguia ganhar dele na velocidade com qual ele fugia dos donos). E os yorkshires adoram pular tambem. No dia dois de outubro Sherlock-Schumacher subiu na janela da casa da nova dona dele; a dona mais nova e a mais amada dele. Logo depois na janela subiu a gata. Não, não a gata da dona. Era a gata de uma das amigas dela. Talvez, ela apenas queria brincar com o cachorrinho. Ele conseguiu escapar das garras da gata e caiu pela janela do quinto andar. Hoje pela manhã eu segurei nas mãos esta bola de energia que pesava dois quilos. A bola de energia tentava escapar e estava tentando lamber a minha boca. Ninguém sabe como isso podia acontecer. Ninguém consegue entender. Sim, caindo do quinto andar o corpinho pequeno atravessou os galhos das árvores. Agora eu sei porque este otono estava tão quente. Mas, mesmo assim.. Os veterenários no hospital abriram as mãos quando um corpo imóvel do cachorrinho foi levado até eles. Eles disseram que não existe esperança. Mesmo não tendo sangue nem lesões aparentes. Não é possivel que um cachorrinho, caindo do quinto andar, conseguisse sobreviver. Ele ficou em coma por três dias. Injeções constantes, ele foi segurado nos braços pela dona que esperava a decisão da alma pequena do cachorrinho. Sherlock-Shumacher decidiu que o portador de nomes tão famos não pode morrer por alguma coisa tão pequena. Ele não tem nenhuma lesão. Nenhum osso quebrado. Nenhum orgão interno machucado. A única mudança que aconteceu com ele - ele ficou mais folgado. Os médicos mandaram não o traumatizar com nada durante seis meses. Ele está aproveitando disto, animal folgado. Ele come apenas os pedaços mais gostosos, fica bravo tomando banho e dorme apenas na cama da dona. As janelas agora estão fechadas sempre. Sim, ele era pequeno. Sim, ele desmaiou e caiu como um corpinho solto. Sim, a pele grossa dele estava se prendendo nos galhos da arvore e segurando a queda... E, além de tudo isso, a gente amava muito ele. Ele não podia morrer por coisas tão pequenas como quedas do quinto andar. Existem coisas mais fortes do que a força da gravidade.