Serguei Lukianenko Homem que não sabia fazer muitas coisas Ele não sabia fazer muitas coisas, mas ele sabia acender estrelas. Porque mesmo as estrelas mais bonitas e brilhantes se apagam as vezes, e se uma vez, a noite, a gente não conseguir ver as estrelas no céu, estaremos um pouco mais tristes... E ele acendia as estrelas muito bem, e isso acalmava ele. Alguém tem que fazer este trabalho também, alguem tem que passar frio, procurando nas núvens da poeira cósmica a estrela apagada e depois se queimar, a acendendo com chamas de fogo, trazidas das outras estrelas, fortes e quentes. Nem precisa falar nada, isso era um trabalho dificil, e ele por muito tempo entendia que ele não sabe fazer muitas coisas além disto. Mas um dia, quando as estrelas estavam mais calmas, ele quis descansar um pouco. Ele voltou para a Terra, passeou em cima da grama suave (isso aconteceu num parque da cidade), olhou por precaução para o céu... As estrelas piscavam para ele com carinho, e ele se acalmou. Fez mais alguns passos - e ai ele a viu. - Você parece a estrela mais linda de todas - disse ele. - Você é mais linda do que todas as estrelas junto. Ela ficou muito surpresa. Ninguém dizia palavras como estas para ela. "Você é da hora" - dizia um. "Estou ficando doidão com você" - disse um outro. E o terceiro, mais romántico de todos, prometeu a levar para um mar azul, sobre qual um navio branco anda... - Você é mais linda do que todas as estrelas juntas - ele repetiu. E ela não conseguiu responder para ele, que não é assim. Uma casa pequena na beira da cidade pareceu para ele o lugar mais maravilhoso do Universo. Porque lá estavam só eles dois... - Quer que eu conto para você sobre as estrelas? - murmurava ele. - Sobre Fomalgaut, despenteado, que parece um gatinho laranja, sobre a Vega, azul e queimante, como um pedaço de gelo pegando fogo, sobre Sirius, composto, como um brinquedo natalino, de três estrelas... Mas você é mais linda do que todas as estrelas... - Fala, fala - pedia ela, segurando a ponta dos dedos dele, quentes, como fogo... - Eu vou contar para você sobre todas as estrelas, sobre as grandes e as pequenas, sobre as que possuem nomes conhecidas, e sobre aquelas que tem apenas alguns números humildes no catálogo... Mas você é mais linda do que todas as estrelas... - Fala... - A Estrela Polar me contou sobre viagens e viajantes, sobre o barulho das ondas do mar e sobre os cantos dos ventos frios da Artica, sobre tendas, que ficam tremendo sobre as batidas dos ventos... Você nunca estará entediada quando estarei por perto. Mas esteja comigo, você é mais linda do que todas as estrelas... - Fala... - Altair e Hamal me contaram sobre os cientistas e generais, sobre os segredos do Oriente, sobre as artes esquecidas e ciencias antigas... Você nunca sentirá dor, quando estarei por perto. Mas esteja comigo, porque você é mais linda do que todas as estrelas... - Fala... - A estrela Barnada me contou sobre as primeiras naves espaciais, que atravessavam o frio cósmico, sobre o suspiro do metal atravessado pelo meteóro, sobre anos longos nas paredes de aço e primeiros momentos nos mundos novos, perigosos e inquietos... Você nunca estará sozinha, quando estarei por perto. Só esteja comigo, porque você é mais linda do que todas as estrelas... Ela inspirou, tentando sair da prisão das palavras dele. Ela perguntou: - E o que você sabe fazer? Ele tremeu, mas não perdeu o espírito. - Olha para a janela. Momento e no vazio escuro acendeu uma estrela. Ela era tão distante, que parecia um ponto apenas, mas ele sabia, que esta estrela é a mais linda do mundo (sem contar, é claro, daquela que estava encostando no ombro dele). Milhares de planetas estavam dançando uma dança impossível, inacreditável em volta da estrela, e em cada planeta cresciam jardins e faziam barulho os mares, e pessoas bonitas nadavas em lagos quentes, e pássaros mágicos cantavam canções quietas, e cachoeiras de cristal cantavam sobre as pedras cobertas por diamantes... - Estrelinha no céu... - disse ela. - Acho que ela não existia antes, se bem que, não tenho certeza... E o que você sabe fazer? Ele não respondeu nada. - Como nós vamos viver - ela estava pensando em voz alta. - Nesta casa antiga, onde nem fogão existe... E você não sabe fazer nada... - Eu vou aprender - quase gritou ele. - Com certeza! Só acredita em mim! E ela acreditou. Ele não acende mais estrelas. Ele aprendeu a fazer muitas coisas, trabalha como um astro-físico e ganha bem. As vezes, quando ele sai para fora da casa, ele fica triste por um momento, e ele tem medo de olhar para o céu. Mas o número de estrelas não se torna menor. Agora algum outro está acendendo elas, e está fazendo isso bem... Ele diz, que está feliz, e eu acredito nisso. De manhã, enquanto a esposa está dormindo ainda, ele vai para a cozinha, e fica quieto, parado perto do fogão. Fogão não está ligado em nenhum balão de gás, simplesmente tem duas estrelas pequenas nele, o presente de casamento dele. Uma brilhante, branca, assubiante, como solda, ela fica jogando colunas de fogo para os lados, e ela é muito quente. Uma chaleira colocada em cima dela ferve a água em apenas um minuto e meio. A segunta é quieta, calma, ela parece um pedaço de algodão vermelho, no qual foi escondida uma lámpada. É fácil esquentar a sopa de ontem e carne da geladeira em cima dela. E o pior de tudo é que ele realmente está feliz.