Serguei Lukianenko (Tradução: Eugeni Dodonov) (Revisão: Camilla Martins) Atrás da floresta, onde está o inimigo maldito... O lança-chamas berrou e cuspiu a cápsula. Seguindo com o olhar a trilha de fumaça que atravessava a floresta, o Atirador pegou a arma e correu para o lado. Ele sabia que o Inimigo Maldito não iria esperar por muito tempo. Ele tinha razão. No lugar onde ele estava apenas um momento atrás, com barulho estridente caiu uma corrente de fogo. O tiro devolvido, como sempre, foi feito com a mesma arma e com extrema precisão. Se o Atirador corresse um pouco mais devagar ele já estaria se contorcendo de agonia, tentando tirar o fogo do seu corpo. Da mesma forma que isso tinha acontecido antes de ontem com o Artista... O Atirador se apressou para tirar as memórias assustadoras da cabeça. Ele correu até a linha de defesa frontal. O Coronel olhou para ele com orgulho: - Muito bem, Atirador. Você deu uma dura neles! O Inimigo Maldito será derrotado! Até a noite o Atirador deu mais dois tiros. E mais duas vezes o Inimigo Maldito atirou no lugar onde ele estava apenas alguns momentos atrás. À noite o Coronel mandou começar ataque total. O Atirador achou a idéia idiota, mas não teve coragem para discutir, colocou o lança-chamas favorito de lado e começou a calibrar o lança-raios. A floresta chorava. Rajadas e rios de fogo a atravessavam completamente. Um tiro - e um tiro de volta. Pássaros queimados e paralisados caíam sobre a terra queimada. Raios laser, como espadas, se cruzavam sobre a floresta. A batalha terminou meia hora depois. Todos se reuniram no esconderijo do comandante. Não houve baixas, apenas o Tenente foi ferido levemente no ombro. Ele era bravo, nem soltou das mãos o seu blaster inseparável. E foi neste momento que eles viram uma pessoa, que saiu da floresta devagar, carregando alguém nos braços. - Inimigo Maldito - murmurou Coronel, tirando a arma. - Será que é um traidor? - perguntou o Subtenente, mantendo a pessoa na mira do paralisador. - Ele não parece ser inimigo. Ele é igual a nós - disse o Atirador confiantemente e de repente pensou: como será que ele é, o Inimigo Maldito? Por algum motivo ele nunca tinha pensado nisso antes. O desconhecido desceu devagar na terra, como se ele não estivesse vendo as armas que apontavam para ele. Cuidadosamente ele colocou a carga dele: era um menino loiro de uns treze anos de idade. Perguntou: - Tem médico entre vocês? Não sei o que foi que o atingiu. O Doutor colocou a metralhadora de lado e atenciosamente examinou o menino. Sorriu e disse: - Nada demais. Raio paralisante. Daqui a umas duas horas ele estará bem. - Inimigo Maldito! - xingou o Coronel, olhando para o corpo imóvel do menino. O Atirador lembrou de repete que o Coronel tinha uma mulher e quatro filhos na cidade. - Não foi o Inimigo - disse o homem, - ele foi atingido do seu lado. Todos olharam para o Subtenente. Ele segurava o paralisador nas mão perdidamente. - Acontece. Deu tudo certo no final - o desconhecido olhou para todos com olhos calmos. - Meu nome é Andaril. Eu vim de longe e, se vocês não tiverem nada contra, vou embora amanhã. - É o seu filho? - perguntou Doutor. O Andaril moveu a cabeça de acordo: - Sim. Já tinha amanhecido, mas ninguém estava dormindo. Primeiro todo mundo escutava as histórias do Andaril. Depois cantaram. Um após o outro pegava um violão riscado nas mão. Finalmente, o Cantor começou a cantar a canção favorita com voz rouca de nervoso: - Durmam tranqüilo, queridos. Em algum lugar do rio distante... E todos o acompanharam: Por ventos negros movidos Os exércitos os protegem. (*) O Andaril escutava atenciosamente. Ele, aparentemente, gostou também. Depois se levantou. - Obrigado por tudo. Está na hora da gente ir. Vamos, Tim. Todos cumprimentaram as mão deles, e depois ficaram olhando enquanto eles desapareciam no horizonte, em direção à Cidade, pelo caminho que o pelotão protegia há muitos anos. O Atirador de repente levantou e correu atrás do Andaril. Alcançou e prontamente perguntou: - Vocês vieram de trás da floresta? Me digam, como ele é, o Inimigo Maldito? Estou aqui há três anos, mas nunca cheguei a ver os covardes que não aparecem! O Andaril silenciosamente olhou para ele. O menino disse: - Lá tem um rio. - A gente sabe! Mas e os Inimigos, onde estão eles? - perguntou o Atirador. O menino olhava para ele, e alguma coisa inexplicável estava no olhar dele. - Lá tem depósitos antigos, de ambos os lados do rio. E eles estão cobertos por um campo protetor. Eu joguei uma pedra, e o campo a jogou de volta, bem na minha mão... (*) Juro que tentei traduzir a letra da música.. :-)