Pavel Shumil

A Casa da Gata




- Durante a minha vida inteira me faltava poder dos computadores. No começo,
  a memória era tão minúscula que não se podia nem falar sobre alguma coisa
  séria. Qual tarefa pode ser executada a partir do cartão perfurado em
  quarenta e oito Ks da memória? Mas mesmo assim rodava alguma coisa...
  Cavaleiro que economiza... Esta gíria acompanhava os programadores daquela
  época constantemente. Economizar cada palavra, cada byte... Mas o que
  fazer se na fórmula do movimento da Lua na órbita existem mais de mil
  membros. E você tem apenas trinta e dois Ks de palavras de seis bytes cada
  para tudo. Uma vez eu passei os dois feriados seguidos no terminal,
  colocando um módulo do sistema numa página da memória. Página - são 1024
  palávras da máquina. No disco é chamada de zona. Ou, como se diz hoje em
  dia, um cluster. Escrevia, obviamente, no assembler. Linguágem da máquina,
  em outras palavras. Não cabian trezentas comandos. Consegui colocar. Dez
  minutos por cada comando. Sim-sim, três mil minutos. Mas qual foi o
  resultado! Ah, que pena que dez anos depois último micro da geração dos
  "seissentos" foi jogado para fora...

Depois chegou uma nova época. A memória, devagar, mas voltou a acompanhar o
progresso. Agora o que começou a dar falta foi o poder de processamento. As
tarefas, obviamente, mudaram também. E depois apareceu a família de
processadores em clusters. E de repente eu descobri que os computadores
atingiram o ideal. Eu consigo modelar qualquer tarefa que eu posso imaginar
no meu "passarinho". Não, não vou mexer com IA novamente não...

Silva lambeu a pata e começou a se limpar.

- Não é interessante para você?

- Continua contando. Estou escutando - murmuraram as caixas de som
  escondidas em um monte de jornais antigos em cima do armário.

- IA - é uma área de invensões potencialmente perigosas. Entende, não é
  possível criar inteligência artificial. Mas é possível criar condições
  para o surgimento da IA. Inteleto humano também se desenvolveu a partir de
  uma célula. E justamente esta célula eu criei no céculo passado. Ainda bem
  que as redes de computadores ainda eram precárias na época. Hoje em dia o
  meu Sinter faria tanta coisa...

Silva levantou a carinha:

- Novamente esta história sobre o papel fundamental dos instinctos?

- Novamente - inspirei fundo eu.

- Você tem muito tempo livre - a Silva se mexeu, levantou as costas. -
  Arranja um cachorro para você e fica o convencendo. Ele ficará olhando nos
  seus olhos tempo todo e concordará com tudo.

Obviamente, a Silva tem razão em muitos aspectos. Gatos vivem por quinze
anos, humanos vivem por muito mais tempo. Cinco anos dos quinze a Silva já
deixou atrás do rabo dela. E tem razão também sobre os cachorros. Os gatos
andam por si mesmos e olham corajosamente nos reis. Na televisão. Em qual
outro lugar você verá um rei vivo? E a conversa sobre os instinctos é como
um disco com música que não termina. Que fica dando umas trinta e três
voltas. Uma discussão antiga e fútil. Mas Silva me ama. Eu fico insistindo
que amor - é apenas um instincto. E somente isso já é suficiente para
justificar a existência deles. O que a Silva diz? Que tudo isso é besteira,
que não é amor, mas sim um costume, que é melhor viver em casa quente e
cómoda do que viver com fome embaixo da escada. Que para ela é suficente o
fato de eu a amar. Casamentos arranjados são os mais estáveis. Nós temos a
responsabilidade sobre aqueles que domesticamos. E assim por diante. Na
verdade tudo isso é besteira. Agora ela está sentada e fica limpando a pata
trazeira com língua. Instinto? Instinto! Fica perdento pelo. Depois vai
passar mal por engolir os pelos.

Terminou de limpar as patas, tentou limpar atrás da orelha e fechou a cara.

- Vem cá, vou tirar o capacete.

- F-f-f-f!

- Assim que se limpar eu o colocarei novamente.

Olhar ocusador e mexidas nervosas do rabo. Nós dois estamos olhando para o
rabo. Rabo é um outro argumento na discussão sobre os instintos. Por isso
ele é segurado com para e limpo com a língua.

Sim, não voltei para a alternativa computadorizada da IA. Mas um dia eu
encontrei um amigo da escola, a gente começou a conversar, e visitei o local
de trabalho dele. Até agora lembro a data - 12 de junho de 2018. Noites
brancas, corredores vazios, uma velhinha dormindo na entrada do prédio...
Tomamos café diluído, contamos histórias, lembramos dos colegas da turma.
Depois eu baixei da rede a ajudei a instalar um pacote de análise simbólica
para ele. Expliquei o que deve ser feito com a impressora/escaner que
morreu. E pela primeira vez vi uma gata num capacete neuro-indutór. Não
somente vi, mas ajudei a colocar e ligar o capacete. A gata era contra...

A historia teria acabado por aqui, se... Se eu não tivesse uma gata em casa.
Nosso departamento de suporte até agora fica me lembrando do conjunto de
neuro-indutóres, que foram encomendados "por acaso". Meu amigo é uma pessoa
muito boa, mas ele é um médico. Ele nunca trabalhou com investigações
seismícos dos poços de petrôleo, nunca analizou no computador os resultados
da análize tomográfica. Para que estou falando isso? Análise tridimencional
necessita de uma matemática complicadíssima. Aquilo que o Petia fez são
apenas brincadeiras de criança, coisas primitivas. Mesma coisa que um
condutór no cérebro, mas sem o condutor propriamente dito. Análize em um
ponto apenas. E o computador dele é fraquinho. Novo, mas com
monoprocessador. Nunca conseguirá analizar em três dimensões em tempo real.

Eu fiz o meu capacete. Emprestei dez gorrós para gatas sem indutóres do
Piotr (ele tem centenas deles. Gatos adoram detoná-los). Encomendei
neuro-indutóres via departamento de suporte. Juntei em casa, modelei no
computador, xinguei, fiquei bravo e durante uma semana fiquei adaptando um
chipe de concentração de informação. Sem ele cinquenta indutóres funcionavam
na mesma freqüência e se atrapalharam um a outro. Depois de uma semana de
trabalho já era tarde para desistir. Ou vergonhoso. Na frente de mim mesmo.
Eu sou assim mesmo. Silva, é claro, era contra o gorrozinho. Mas eu tinha
previsto isso. Comida - apenas no capacete. E depois de três capacetes "de
treinamento" razgados, duas mordidas e múltimas pistas de garras chegamos
num concenso. Chegou a hora de colocar o capacete com parte elétrica
montada.

Uma imagem inicial, bruta, da atividade cerebral eu consegui quase que
instantemente. O pacote de programas de investigações séismicas de poços de
petrôleo submarinhas ajudou bastante. Não precisa ficar surpreso. O assunto
é o mesmo. Chega uma super-posição de diversos campos e ondas para múltiplos
sensores. É necessário apenas determinar de onde e para onde vai cada onda.

Determinei. Desenhos bonitos na tela - e tudo com córes simbólicas. Até quiz
chamar o Piotr e ficar orgulhoso na frente dele, mas quis entender a
terminologia sozinho antes. Se quiserem, podem acreditar, mas, acreditando
ou não, o que eu fiz valeria por uma tese de doutorado. Porque? Porque eu
fui o primeiro! Porque os médicos não fazem investigações seismicas. Porque
o meu desenho por três potências ultrapassa tudo o que eles já conseguiram
obter. Porque eu consegui tamanha quantidade de informação sobre a atividade
do cérebro que nem consegui imaginas o que fazer com ela. Nem sei como
explicar. Talvez, neste monte de dados é possível encontrar e rastrear o
resultado de cada sinal que chegou até o cerebro. Aqui eu encosto no bigode
da gata com dedo. E uma onda azul de desgosto passeia pelo desenho. Eu acho
que é desgosto. O que mais isso poderia ser? Vocês gostariam se qualquer um
fosse encostar nos seus bigodes?

Tudo claro? As minhas teorias não tem nada a ver com ciência. A ciência -
aquela que eu baixei da rede - está na idade de pedras. Sim, eu entendo a
terminologia. Cérebro, axons, dentritos... Aquilo que temos nos livros e o
que tem na tela na minha frente é como se fosse uma foto no lugar de um
filme tri-dimencional. Não tem nem volume, nem dinâmica. Está cedo demais
para mostrar para o Piotr. Ou é melhor nem mostrar. Ele não entenderá nada
disto. Não é um programador. Só ficará me atrapalhando. Esta informação tem
que ser filtrada e mais filtrada. Se eu não o ajudar a mexer com isso -
serei um canalha. Mostrei uma bala para criança - e não dei...

Entrei num assunto que não tem nada a ver comigo novamente. Tenho um costume
péssimo destes - preencher todos os buracos. Entrar justamente no lugar onde
não tem ninguem, mas alguém é necessário. E depois não sair mais daquele
buraco. Porque eu sou o único e insubstituível. Todos os outros dependem de
mim e contam comigo...

No final, acabei não contando nada para Petia. Quis testar modelos no
computador sozinho mesmo antes, controlar, se conseguir, a mente da gata.
Comecei com o básico. Comunicação inversa negativa (isso quando o computador
através dos neuro-indutóres não somente lê a atividade do cérebro, mas
também a apaga um pouco). Comunicação inversa positiva. Ondas. (Isso quando
a polaridade da comunicação inversa é alterada de acordo com a função seno).
Comunicação positiva na parte externa do cérebro, negativa - na interna. E
acabei me complicando. Não vou entrar nos detalhes do know-how, mas me
compliquei... Acordei um inteleto com poder imenso dentro do cérebro da
gata. Porque poder imenso? Comparem o tamanho do cérebro de gato com cérebro
do homem. Para igual as chances, comparem com o cérebro de uma criança de
três anos e não o de um homem adulto. Silva tinha por volta de três ános na
época. E o cérebro de uma criança é menor. Mas, mesmo assim, é quase de duas
ordens de grandeza maior do que o do gato.

Pensem o que querem, mas a minha genialidade consiste no fato de eu
conseguir identificar no comportamento da Silva o despertar o inteleto. E
justamente naquele modo de filtração/submissão/estimulação. Se bem que antes
eu confundi com um "vício", tipo um vício a drogas. Mais ainda porque no
modo de apagação do comportamento dos centros de movimento do cérebro a
Silva parecia como um drogado sob uma dose.

Mas silva não apenas gostou das nossas experiências. Ela ficou visivelmente
mais inteligente. Vocês alguma vez já viram como uma gata te chama para o
computador? E trazer o capacete? Cachorros trazem botas para o dono. Tentem
conseguir a mesma coisa de uma gata! Isso sem nenhum treinamento. Por isso o
centro do cérebro responsável pela fala eu fiquei procurando concientemente.
E acabei encontrando. O resto - são os esforços da Silva. Como posso
esperar, esforços concientes. Pelo menos, ela fala assim.

- Vai deitar para dormir ou ficará na Internet pela noite inteira?

- Vou - inspiro fundo eu.

- Então me coloca o Seton-Tompson.

Tiro um CD antigo, ainda de cinco polegadas, coloco num drive com mesma
idade. Silva tem um computador próprio. Um notebook pequeno e compacto com
quase vinte anos de idade. Nela tem um cartão PCMCIA com CD-ROM externo e
placa de rede na "mãe". Mas não precisa me xingar, falando que não quero
comprar um computador de verdade para a gata favorita. O problema é técnico.
No notebook o teclado é minúsculo, é possível alcançar qualquer tecla com a
pata. Vocês gostaria de correr em volta do teclado? O fato da tela ser
preto-e-branca não faz diferença. Gatos não possuem visão colorida. Dizem
que os humsters tem. Silva diz. Leu sobre isso em algum lugar e agora fica
morrendo de inveja deles.

Já quase dormindo, estou vendo a Silva entrar na rede. Ela tem muitos amigos
na rede. Eu tinha medo que com uma frase mal-falada a Silva se mostrará a
não ser um humano. Afinal, o nível de informatização de uma gata com cinco
anos é diferente do nível de uma pessoa adulta. Foi criada uma historia. De
acordo com ela, Silva é uma menina inteligente de sete anos que tem uma
doença e permanece na cama constantemente. Utiliza Internet escondida do
pai, por isso não é bom a visitar também. Uma história forte. Silva é
conhecida em uma dúzia de chats. Mas mesmo assim eu sugeri para ela não
visitar chats que utilizam comunicação por voz.







O Chefe dormiu. De acordo com a terminologia que os humanos utilizam, eu
tenho que o chamar de dono. Mas não gosto desta palavra. Por isso ele é o
Chefe, Grande Chefão, Decendente de Macaco, e, as vezes, Macaco sem Rabo.
Mas se ele ficar me enchendo muito ele acaba virando um Fedido sem Nariz. Se
bem que eu nunca pronunciei isso em voz alta. Isso é ofença horrível. Mais
horrível ainda porque ela tem razão. Ele não consegue diferenciar muitos
cheiros. E ele sabe disso. Mas diz, que poder de não sentir muitos cheiros é
compensado pela visão colorida. Uma compensação fraca, uma vez que a visão
dele é fraca também.

E isso não é maldade. Isso é uma análise lógica e precisa dos nossos lados
fracos e fortes. E ele tem mais lados fortes. Eu tenho muita inveja dele,
mas não demonstro isso. Do que eu tenho inveja? Da longevidade e do tamando
do cérebro. E, para esconder a inveja, fico a mascarando por um pecado
inocente. Fico brigando com ele todo dia sobre os instintos. Como se apenas
uma mente fria podesse governar o mundo. Uma besteira sem tamanho, mas é
possível colocar tantos argumentos a favor dela!

Entro rapidamente em vários chats. Abro a janela do "Cinema Noturno". Algum
serial infinito. Ha! No último capítulo a dona do motel tinha uma gata
preta, e nesta ela se transformou de alguma maneira mágica num gato. Como os
humanos conseguem assistir estas besteiras? Troco para desenhos. Tom e
Jerry. E em ingles ainda. Eu poderia aprender a língua em um par de mezes,
mas tenho medo. Tenho medo enorme de encher a memória. Meu cérebro é tão
pequeno em comparação com o cérebro humano. E eu sou a primeira. Sou a
experimentadora. Se acabar a minha memória, o que eu me tornarei? Uma pessoa
esclerótica ou marázmica?

Fecho janelas desnecessárias e saio de Internet. Hoje temos planejado
Seton-Tompson. "Contos sobre os animais". Se bem que eu acho que ele não tem
animais não. Mesmas pessoas, "somente aperência muda".

Desligo o notebook com um sentimento complicado. Eu esqueci como que eu era
antes. Não consigo mais dar uma avaliação de expert para a arte humana. Ah,
que vá pros cachorros o passado! Como diz o Chefe, "você se torna igual
aqueles que conhece". Me estico, levantando as costas. E quem inventou que
gatos são animais noturnos? Isso apenas é uma questão de educação. Outra
coisa que eu não entendo - porque eu fico mantendo o Chefe nesta enganação?

Ligo luz no corredor. Todos os interruptores em casa são colocados como em
outros paízes - no nível da cintura do Chefe. Isso é um gesto de boa vontade
dele. Para simbolizar a igualdade de seres inteligentes.

E agora! Igualdade, igualdade, mas acabou fechando a porta para o banheiro
novamente... Tudo bem, vou perdoar ele por hoje, não vou acordar.

Pulo em cima da pilha de roupa suja e executo uma acrobacia. Patas traseiras
sobre a pilha de roupa, as dianteiras na porta. Agora apertar a maçaneta com
a pata... Caio no chão. Mas a tarefa foi comprida. A porta abra por uns dois
centimetros. Solto as garras e abro a porta com a pata. Igualdade é
igualdade, mas o que sobra depois de mim no banheiro quem limpa é o Chefe.
Tem alguma justiça neste mundo.

Pulo na cama do Chefe, me deito nos pés dele e bocejo. Tenho que lembrar o
Chefe de manhã que o Wiscas acabou. E que ele tem que comprar batata para
ele.




- Bom dia, mur-murzinho.

- Mur-r-r.

Eu gosto de ficar deitado por uma meia-hora na cama depois de acordas. Silva
também adora. Fica murmurando e me empurrando com as patas dianteiras,
andando no mesmo lugar. Mas está na hora!

- O que você quer para o almoço? Carne ou peixe?

- Calabresa.

Eu e Silva gostamos de salame. Tanto a que é feita aqui, quanto importada. O
último pedaço de calabreza eu queria comer sozinho. Mas pelo jeito, não vai
dar. Corto em pedaços pequenos e coloco no prato da Silva. Cada tarefa tem
seus segredos. O prato deve ser quente - segurei ele por um tempo embaixo de
água quente. Porque calabreza é da geladeira. E nós não podemos esperar por
muito tempo. Queremos comer. Mexendo as patas com impaciência.

Todo chá com leite e com leve inveja fico observando a Silva terminar a
calabreza.

- O que você quer que coloco para você hoje?

- Enciclopédia médica e Cante.

Coloco no CD-ROM os discos mencionados.

- E não tem medo de preencher a memória?

- Tenho sim - confessa Silva e mexe o rabo, nervosa.

- Não fica com saudades. Até a noite.

- Não esqueça de wiscas, delice-complete e batata.

Enquanto estou descendo de elevador, fico pensando porque a Silva queria o
Cante. Nem eu mesmo tinha lido ainda, vou ter que ler um dia. E depois
pensar como convencer a Silva para mudar para a chácara. A murmurzinho se
acha um cíber. Metade do inteleto na cabeça, metade no computador. Mas isso
está errado. Computador apenas ajuda a ativar os recursos escondidos do
cérebro. Como uma massagem ajuda a um esportista. Quando a fase de
apagamento do cérebro está em ação, o cérebro se esforça e procura outros
caminhos, ativa novas ligações. Quando a fase de apagação se altera pela
fase de estimulação, as nossas ligações são reforçadas, e a atividade delas
aumenta. Computador é apenas um gerente dos neurônios. Expliquei isso para a
Silva umas cem vezes. Desligamento é seguro. Já desliguei o computador umas
dezenas de vezes para manutenção. Se bem que eu escolhia os momentos nos
quais a gata estava dormindo. Mas a Silva mesmo assim tem medo de se perder.
Não permite tirar o capacete por mais de cinco minutos. Para chegar até a
chácara demora duas horas. Primeiro no metro, depois num trém. Por este
tempo o efeito de estimulação externa já se desfazerá. Nos primeiros
experimentos eu determinei a duração dos efeitos. Entre quinze minutos e
meia-hora. Silva está disposta a ficar por duas horas no escuro numa sacola
fechada completamente, se eu ligar o capacete num notebook. Mas isso não é
viável. O notebook é fraquinho. O processador dele é convencional, não é um
processador de clusters.

Além das dúvidas práticas quanto à mudança para a chácara temos as
filosôficas. Ou melhor, eu tenho dúvidas. Silva já resolveu todas as dúvidas
dela.

- Você não criou nenhuma civilização nova - afirma ela. - Você criou um
  ciborg. Sem a sua caixa eu sou um animal. A caixa sem mim é um monte de
  ferro. Somente nós dois temos algum valor. Mas olha só - ambas as partes
  podem ser substituidas. É possível pegar outro computador, e é possível
  pegar um outro gato. Vocês, pessoas, nunca vão aumentar este experimento.

- Porque?

- O orgulho não deixará. Imagina, vocês colocaram o capacete numa vaca. Olha
  só o tamanho do cérebro dela! A inteligência dela é maior do que a de
  todos vocês juntos. Mas ela não tem mãos. O que acontece? Vocês a
  alimentam, embebedam, limpam depois dela. E ela pensa por vocês. E quem
  depois disto é o rei da natureza, e quem é o escravo? E nem matar ela
  depois vocês poderão. A conciência não deixará. Vocês tem vergonha até de
  matar os loucos sem cura que vocês já possuem. Mesmo que sem o capacete a
  vaca não poderá pronunciar duas palavras, mas ela era inteligente. Então
  porque vocês precisariam disto?

Ela tem razão, tem razão em tudo.





- Bom dia, mur-murzinho!

- Mur-r-r!

Olho como as emoções ficam se alterando na carinha da gata. No começo, ela
parece perdida, mas depois vira brava. Ela pula da cama, corre até o
notebook, aperta o botão para iniciar ele. Fazendo um barulho musical, o
notebook acorda. Silva abre a janela de editor, digita com pata no teclado
rapidamente, vira para mim e mia, me chamando. Já fazia tempo que não
escutava isso... Tiro o cobertor, coloco os pés nos chinelos.

- O que você tem aqui?

Na tela tem uma mensagem: "Verifica as caixas de som!!!"

Aponto o controle remoto para o computador, aperto o botão. A tela revive,
ilumina a tela da televisão. Está passando um programa de notícias. Alguma
coisa afundou em algum lugar, alguma coisa foi aceita com vantágem de três
votos...

- As caixas de som estão funcionando.

A expressão brava na cara da gata se transforma numa expressão de susto.

- "Eu não consigo falar" - a pata digite rapidamente no teclado.

Sento no computador, chamo "netstat". Interessante... Verifico os logs.

- O seu capacete se desligou às duas de manhã.

Silva esta aterrorizada.

- Acalma-se, bichinho. O paradoxo desta situação é que, já que você tem
  medo, então, você não precisa ter medo. Se o capacete estivesse
  funcionando, e você não pudesse conversar, aí sim...

Pelos olhos entendo o que a Silva pensa sobre estes paradoxos.

- Vem cá, pequena. Vou arrumar o seu capacete.

Silva pula nos meus joelhos. Pela primeira vez estou vendo ela se desfazer
do capacete com vontade. Tiro a parte de baixa, presa por uma fica colante,
tiro o testador universal... O problema não valeu nem a pena ser
investigado.

- EUEzinha morreu - explico para a Silva. - EUEzinha é um Elemento Universal
  de Energia. Uma bateria, basicamente, mas dez vezes mais cara.
  Teoricamente, ela pode ser preenchida por álcool. Mas após a carga ela
  fica perdendo potência e não aguenta a voltagem necessária. É melhor
  comprar um novo. Quando estiver voltando do trabalho, eu vou comprar.

Silva não quer esperar eu voltar do trabalho. Ela está disposta a qualquer
sacrifício, mas não pode esperar até a noite. Ligo para o trabalho, aviso
que não poderei vir hoje.

Quando eu volto da loja, Silva está na Internet. Em dois chats ao mesmo
tempo. Fica reclamando da vida para os amigos. Sobre a EUEzinha é verdade,
mas o resto ela inventa co ma imaginação forte dela. O começo do diálogo
saiu para fora da tela, por isso não posso entender onde este EUE estava
localizado. Todos demonstram compaixão à ela e ficam falando mal de mim.
Enquanto estou trocando UEU, Silva fica fazendo carinho e batendo cabeça no
meu cotovelo. Coloco o capacete...

- ... da puta! Pode matar de susto assim!

- Quem ensinou os palavrões para você?

- Ah, como me sinto bem! Como se tivesse encontrado um ratinho!

- Silva, você entendeu o que aconteceu?

- Uma catástrofe pequena. Mais uma vez me conformei o quanto eu dependo da
  sua caixinha.

- Você viveu dez horas sem o capacete. E não se perdeu. Qual é a conclusão?

Silva aponta as orelhas.

- Vou sair de férias a partir do sábado e vamos para a chácara! Estamos no
  meio de verão e nem saímos da cidade ainda.





Estou sentado no trem e, atendendo o pedido da Silva, fico lendo Laroshfuco.
Sila está deitada nos meus ombros e fica lendo também. Como descobri, ela lê
duas vezes mais rápido do que eu, Aparentemente, tudo é culpa do tamanho do
cérebro. O cérebro dela é menor, os impulsos chegam mais rapidamente. Na
minha mochila está o meu computador grande, em uma sacola comida, na outra -
notebook da Silva, soldador, testador e três dezenas de CDs. E isso são
pessoas que vão descansar na natureza.

Fecho Laroshfuco, e Silva faz barulho descontente. Mas eu tenho que pensar
sobre algumas perguntas filosôficas. Aparentemente, o capacete é necessário
apenas na etapa inicial. Cérebro estimulado conseguiu uma nova qualidade -
inteligência - e não quer se desfazer dela. Qualquer ser vivo maior que um
gato na face da Terra é potencialmente inteligente. Não temos mais espécies
grandes e não inteligentes! Girrafas, antilopes na África, ursos brancos,
crocodilos do Nilo. Cachorros são inteligentes, vacas são inteligentes,
cavalos são inteligentes, porcos são génios em matemática. Agora todos eles
são nossos irmãos inteligentes. E apenas eu sei disto. Pergunta: será que a
humanidade precisa saber disto?

Nós comemos carne. Praticamente todo dia. Eu gosto de carne e não quero
desistir dela. Desde o dia de ontem eu sou um cannibal. Estou comendo irmãos
pelo inteleto. Todos nós somos cannibais. Barbaridade! O que acontecerá se a
humaninade receber esta pilula amarga? Engolirará ou morrerá?




- Entende, gatinha - explico para a Silva, - este capacete é muito facil de
ser feito. Mesmo hoje um computador junto com capacete custa menos de cinco
mil dolares. Numa produção em séria de chips especializados no lugar do
computador é possível abaixar o preço umas dez vezes. Talvéz, até cinquenta.
Cem dólares - não é dinheiro. Um més o outro no capacete - e temos um novo
ser inteligente. Pode ser tanto um coelho quanto um urso das Himalaias. Será
que o urso quer se tornar vegetariano? E o lobo?

- Você pulou um passo. Sem capacete nós permanecemos animais.

- Capacete é um detalhe pequeno. Nós educamos nossos filhos por mais de
  vinte anos. Jardim de infância, escola, universidade. Desde a escola as
  crianças conhecem capacetes de realidade virtual e programas educacionais
  interatívos complicadissimos. Você pode não acreditar, mas o seu capacete
  é apenas um pouco mais caro do que um capacete de realidade virtual. Dois
  meses no neuro-capacete comparado com dez anos de escola - é nada. Apenas
  mais um programa educativo, não mais do que isso.

- Mas vocês nascem inteligentes.

- Nós nascemos POTENCIALMENTE inteligentes. Leia sobre o Maugli, Tarzã, e o
  que os cientistas de verdade pensam sobre isso. E depois olha no espelho.
  Você tem apenas cinco anos, mas o modo de pensar é completamente adulto,
  QI alto. Nível de informação por enquanto está atrazando, mas isso é
  facilmente recuperado.

Silva faz a cara de contente, lambe a pata e tenta limpar atrás da orelha.

- Por quantos anos você estudou?

- Terminei a faculdade com vinte e três anos.

- Br-r-r! Esque dos animais, pensa nas pessoas - sugere ela. - Se novas
  espécies inteligentes irão surgir ou não depende somente delas.

- Surgirão. Não tem outro jeito. Entenda, mur-murzinho, o tempo dos
  solitários já passou. A ciência médica agora está colocada numa base
  industrial. Existem investições enormes nela. É um exercito de
  pesquisadores. Eles não deixarão passar esta chance.

- Você diz que o tempo de solitários já se passou? Olha no espelho.

Viro para o espelho e demoro para perceber o que a Silva quiz dizer.

- Ah, você está falando disto? Não, Silva, não é assim. Eu utilizei aquilo
  que um outro exercito fez. Existe muito mais dinheiro nas áreas de
  pesquisas de poços de petrôleo, comparando com a medicina, por isso esta
  área está na frente das outras. Mas só por um tempo.

Fico pensando por algum tempo sobre os motivos do atrazo da medicina. Não,
tenho que pensar sobre outras coisas. Temos um outro caminho? Podemos
desistir de comer carne hoje? Não! Sim, existem conversas sobre
bio-fábricas, nas quais carne será cultivada. Carne de boi, de baleia, de
urso... Mas é caro! Uma vaca viva é oito vezes mais barata. E será mais
barata nos próximos cinquanta anos.

Por isso a humanidade nos próximos cinquenta anos não precisa saber da minha
descoberta. Ela, a humanidade, não está pronta para ela. Darei um choque com
conseqüências desconhecidas para a humanidade, crescerá vegetariedade, onda
de suicídios, onda de cinismo frio e - como conseqüência - um declínio do
custo de vida de acordo com todas as categorias morais.

Será que a humanidade vai querer passar fome e comer apenas frutas e
saladas? Não. Comiamos carne, estamos comendo e estaremos comendo. Antes -
dos animais, hoje - dos seres inteligentes. Seres mais inteligentes irão
comer os menos inteligentes. Nível de educação - como uma desculpa da
panela. Não, temos outros critérios também. É possível criar um boi em um
ano, e uma pessoa humana - em 18 anos. Não é lucrativo economicamente. Novos
critérios de seleção dos humanos. E, além disto, funciona nos dois lados...

Decidido! A humanidade não deve saber da minha descobreta. Eu posso ser um
canalha, posso ser um génio malvado, anjo negro, mas a culpa estará apenas
na minha conciência. Fiz uma descoberta e eu mesmo farei o fechamento dela.
Não é a primeira vez. Eu tenho que fazer isso!

Então, o que temos de pontos positivos e negativos para o fechamento? Vamos
ver.

Pontos negativos: acessibilidade dos neuro-indutores, computadores potentes
e pacotes matemáticos para pesquisas séismicas.

Pontos positivos: dedicação completa dos médicos nos pacotes de análise
togográfica e rezonancional. Neste caso estes pacotes não adiantam nada, mas
é preciso entender isso antes.

Pontos positivos: falta de especialistas de qualquer tipo de um perfil
amplo. Tipo o meu.

Pontos negativos: é suficiente apenas um especialista. E os "especialistas"
de hoje podem juntar em grupos de três-quatro pessoas.

Pontos positivos: minha ideia genial de estimulação do cérebro. Meu
know-how. Efeito colateral de quinze anos de estudos sobre inteligência
artificial. Nisso eu ganho uns dez anos ou alguma coisa em torno disto.

O que mostra a balança? Que eu simplesmente ganhei dez anos de todos os
demais. E depois chegará algum algum estudante cabeludo - e repetirá por
falta de que fazer a minha descoberta genial.

Conclusão: tenho que esconder. Tenho que esconder ativamente a descoberta.
Que droga! Entrei não no meu assunto novamente. E esse assunto me segurou.
Com a cabeça. Que nem um pántano maldito.



Sem tirar os olhos da entrada para a casinha da rata, Silva fica mexendo o
rabo, nervosa.

- Ela está pensando que não tenho mais nada para fazer! - as caixas de som
  do lado da TV reclamam para mim. O computador em si está escondido embaixo
  da mesa.

- Esquece dela. Eu tive uma ratoeira em algum lugar.

- Tenta só! Vou te obrigar a comê-la!

- Essa é a minha caça! - grito eu, seguro a Silva e caiu sobre o sofa.

- Tio, não machuca os pequenos! - apitam as caixas de som. Lutamos por algum
  tempo. Silva ataca e vence.

		A gata tem quatro patas
		Ela tem um rabo largo atráz
		Mas não se atreva a se encostar nela
		Porque ela é pequena!

		(*)

Estou cantando, deitado no sofa. Silva escuta, enclinando a cabeça para um
dos ombros.

- Uma canção muito justa - decide ela. - Você está perdoado! Mas nem pensa
  mais sobre a ratoeira! Os ratos são meus. Não se atreva os pegar ou
  alimentar.

- Concordo! Mas os passarinhos são meus.

- Grandes - seus, pequenos - meus - oferece Silva.

- Concordo para o contrário.

- Você fica com pássaros grandes e ratos grandes ainda por cima!

- A discussão aqui é inutil! - anuncio eu, decididamente.

- E tambem vermes para pescar - coloca a última carta na mesa Silva.

- Pode ficar com eles. Eu vou achar uns para mim no local mesmo. Tudo bem!
  Você fica com pássaros pequenos, e também com mosquitos, moscas, bisorros
  e outros insetos.

- Chantagista. Mas tudo bem, você ganhou. Mas as pombas e pássaros maiores
  são meus!

- Vamos apertar as mão entao?

- Vamos apertas as patas! Pode ficar com os vermes também.

- Não vou esquecer disto, querida. Cada terceiro peixe é seu!

Silva, contente, levanta a carinha para eu tirar o capacete dela, come uma
pílula anti-sexo para gatos do prato, pisca com um olho para mim e vai
passar. Tem muito trabalho. Tem que estudar e marcar novamente o local... Ou
são apenas os gatos que marcam os locais? Tenho que perguntar para a Silva.
Mas observar os gatos visinhos e explicar para eles quem é quem - isso é
necessário... Muito trabalho. E eu fico fazendo a ceremônia de tomar chá. Um
ritual. Cuidadosamente lavo com água fervendo a chaleira. Coloco duas
colheres de chá de um pote, uma de outro nela. Misturo tudo, chaqualho a
chaleira, cheiro e preencho com mais água fervendo. Agora - só fechar com a
tampa e ficar esperando com água na boca por quatro minutos e meio. Tenho
até alguns relógios de areia para isso. Para três e cinco minutos. Não se
fazem relógios de areia para quatro minutos e meio.

Enquanto o chá está sendo feito, abro as janelas na varanda. Tiro a tampa,
cheiro o sabor. Muito bom...

- Lavanda, lavanda das montanhas (**)... - fico murmurando, coloco chá em
  uma xicara pequena e coloco ela num pratinho pequeno com borda azul. Tomo
  um gole. Sabor maravilhoso, simplesmente divino. Leve, um pouco amargo.
  Tomo a xicara inteira com goles pequenos. Mas ai a fome acorda. Ceremonias
  de chá são guardadas no bufé até a próxima vez. Coloco a bebida divina num
  copo, coloco três colheres de açucar e uma de doce por cima. O desenho da
  decadência moral é acompanhado por um sanduíche feito de duas salsichas
  cortadas sobre um pedaço grande de pão.

Mal acabei de comer o lanche, quando a Silva pula pela janela. Pula na mesa
- em cima da mesa limpa com patas sujas! - e coloca na minha frente um
passarinho pequeno.

- Caíu do ninho?

Mexe a cabeça num jesto afirmativo e empurra a presa para mim com a pata.
Com expressão de "já que pediram - ficam com ele".

Inspiro fundo e fico aquecendo o passarinho nas mãos.

- Vai, me mostra.

Silva pula pela janela e eu, escondendo a inveja, saio pela porta. Olha só!
Temos um ninho no telhado da minha casa. Empresto uma escada do vizinho e
devolvo o passarinho para a casa dele. Na carinha feliz da Silva aparece uma
expressão pensativa.




Será que eu consigo esconder a descoberta? Porque não? Eu consegui fazer
isso com o inteleto artificial. Obviamente, o processo precisa de trabalho
contínuo, troca contínua de correspondências com as pessoas que trabalham na
área. É necessário apenas se desfocar um pouco do problema e aparecem
novatos, dispostos a discutir os princípios básicos. Eles tem que ser
criticados, direcionados, educados, tem que passar referências dos
antecedentes para eles. Em geral, empurrar para um pântano devagar.

A solução é fácil. É só falar que uma certa área de pesquisas não tem saída,
que tudo já foi estudado, e falar que uma outra área interessante, bonita,
mas que não tem solução na verdade, possui a maior perspectiva. Na verdade,
não é que não tem solução nenhuma, mas para chegar até a solução dez vidas
não serão suficientes. E ao mesmo tempo teremos uma saída tranquila. Não um
inteléto artificial, mas uma imitação de IA. Sem fantasia, mas previsível e
que age de maneira confiável numa situação mais perigosa.

Agora eu tenho que repetir a mesma coisa na medicina. Declarar que análise
global do cérebro de acordo com o meu método é uma área já ultrapassada,
dividir o cérebro em uma série de setóres funcionais, afundar os
especialistas no estudo de temas restritos. Deixa eles procurar em
profundidade, e não em largura. O principal é levar para um nível mínimo o
estudo geral do cérebro. Um estudo completo - com todos os detalhes - deve
ser publicado em todas as fontes. Mostrando que não é possível descobrir
mais nada de novo por aqui. É necessário apenas refinar os detalhes.

Maravilhoso! Com uma pequena excessão. Para isso eu vou ter que estudar a
área geral a fundo, instruir o Piotr, no último caso - me abrir para ele.
Petia entenderá. Sim, provavelmente, vou ter que me abrir para ele. Desta
forma atráz de nós teremos a autoridade da universidade, nomes de três
acadêmicos. Medicina e fisiologia - não é cibernética. São áreas
conservativas, inclinadas para obediência às autoridades. Resumindo... Temos
um plano. Obviamente, vou ter que mudar o meu emprego...

Porque eu entrei nisso? Salvador da humanidade...




O Chefe está preocupado com os problemas dele novamente. Pessoas com duas
pernas tem duas perguntas favoritas: quem é o culpado, e o que temos que
fazer. A primeira pergunta está clara, mas o Chefe fica se variando na
segunda. Entre "O que fazer agora?" e "E agora, fazer o que?". Problemas
dele. Não quero entrar neles. Isso pode ser egoismo, e daí? Eu tenho
direito. Agora tenho os meus próprios problemas acima do rabo. Se eu for
juntar todos os problemas do mundo na minha cabeça, com certeza a memôria
vai estourar. De qualquer jeito, durante a minha vida o mundo não vai mudar.
Não terá tempo para isso. E chega de pensar nisso!

Quieto!.. Be-e-em! Chegou o Pirata. Um homem marcante. Fica andando pelo meo
território como sobre asfalto... Achou a minha marca. Ei, você! Não se
atreva a colocar a sua! Se bem que, pode colocar.. Homens. mas o dono daqui
sou eu. Agora você vai perceber isso. Estou calma, estou absolutamente
calma. O rabo está calmo. Vou me apresentar a ele. E-e-e... Calma, aonde
você vai??? Para! Para, filho do cachorro!

Que vergonha! Acabei de caindo num grito de gato banal. Eu fiz alguma coisa
errada. Mas eu não mostrei nenhuma agressividade. Só quis chegar perto.
Covarde! Pior para você. Tudo bem. Aqui tem ainda o Preto, Persik e mais
dois gatos sem casa. O Cinza e Orelha Queimada. Não vou ficar sem um homem.

A discussão sobre os instíntos foi perdida completamente. Aquilo que parecia
óbvio na cidade, aqui se foi como uma fumaça. Mas salvei a cara, obviamente.
Como? Na cidade eu usava capacete, e aqui - sim! Capacete não apenas
estimulava o cérebro como também apagava os instíntos. Um argumento de
ferro!

Olha só! O Cinza está chegando. Não é o Pirata, claro, mas também não é um
dos últimos. Eu sou amigável, boa, simpática. Rabo para cima, fico
murmurando, vou para um contato... Para, aonde você vai? Calma, bobo! Não vá
correndo...

O que está acontecendo? O Chefe contava que três anos atráz estes malditos
ficaram me perseguindo pela chácara inteira. Eu mesma lembro. Mais ou menos,
mas lembro. Cheiro, marcas no meu território, pedo e incerteza. Perdou tudo
para os malditos.

Tudo bem, a noite de amor não aconteceu. Será uma noite de caçada
sangr-r-renta! Não, não tenha medo, pequena, não uma caça para pererecas.
Olha só para você - quem iria querer alguem assim? Fria, molhada... Deixa
uns pelos crescerem ainda, monstro!

Barulho... Atenção! Com patas lever, semi-flexionadas vou para atráz de um
tronco da árvore, devagar... Olho pelo canto... Ratinho... Não muito grande,
mas... Eu preciso de mais problemas? Mas seria engraçado ter um ratinho
domesticado.

Saio de trás do tronco da árvore e sento na frente do mamífero. No primeiro
momento o ratinho mostra os dentes, se encostando no chão. Mas eu não ataco,
e o bichinho rabudo se torma mais corajoso. Nariz sensível se mexe, e depois
o bixo sai correndo. Não muito rápido, mantendo a dignidade. Não como os
gatos. Nenhum sinal de pánico. Teoricamente, era para ser o contrário. Tenho
com tirar estas dúvidas com o Chefe. Chega dele se concentrar nos problemas
dele, deixa ele pensar nos meus para descansar um pouco.

Agora chegou um pensamento interessante na cabeça. Tem uma saída para os
Irmãos Maiores. Eles podem comer os ratos. Teremos fazendas para criação dos
lemmings... Lemming de carne e leite - soa bonito? Peito de rato. Chefe
chegará numa loja e dirá: "Quero um quilo de peito de rato". Mur-r!




- Alguém está em casa?

- Entre, Maria Semenovna.

- Passei por aqui ontem a noite, aí ví que a luz estava aceita.

- Aceita chá?

Maria Semenovna é uma das minhas vizinhas. Viúva. Viva a duas casas da minha
e tem planos para mim. Cozinha bem, bonita, grande, tem tudo o que precisa.
Cinco anos mais nova do que eu. Tem um defeito apenas. Se existe um rádio
nesta vila, Maria Semenovna representa a torre de transmissão delel. Sabe
tudo sobre todos. E mantem na alma o lema dos hackers de todos os tempos e
nacionalidade - information must be free. Isto é, se ela ficou sabendo de
alguma coisa - um dia depois a vila inteira sabre sobre isso. Eu e Silva não
podemos nós arriscar a isso. De jeito nenhum. Apesar de...

Dou chá com biscoitos para a Maria Semenovna e fico descobrindo de todas as
novidades locais. Silva pula sobre a janela e depois nos meus joelhos. Se
deita, imitando um gato de verdade. Ela tem mais curiosidade maior do que
eu. Por isso mantenho a conversa, fazendo as perguntas devidas.

- Ah, fiquei por aqui conversando, mas a minha filha pediu para ficar com o
  neto - lembra Maria Ivanovna, - Temos um problema com o neto. Dimka tem
  dois anos e meio e ele não fala ainda. Doutóres dizem que são
  conseqüências de uma truma no parto, é necessário fazer neuro-tomografia.
  E como podemos fazer ela se existe fila para próximos cinco anos? Eles,
  parasitas, ficam trabalhando dois dias para o país, e cinco
  comercialmente. Isso na máquina do governo...

Na minha cabeça como se um trigger tivesse trocado de posição. Eu preciso
estudar o cérebro, e Dimka precisa de neuro-tomografia. E eu tenho todo o
equipamente necessário comigo. Só preciso mudar um pouco o capacete.

- Maria Semenovna, eu posso fazer tomografía para você. Eu justamente tenho
  um trabalho secundário - arrumo equipamentos para os médicos. E fico
  testando na Silva. Leva o neto amanhã, faremos tudo de um jeito ótimo. Mas
  o médicos não falaram o principal pava você. Para obter uma análize
  completa, uma seção é muito pouco. É necessário fazer umas duas semanas de
  tomografia. Aí é possível fazer alguma coisa tipo um filme, vendo, como o
  cérebro está se desenvolvendo.

Mais dez minutos ficamos discutindo detalhes, mostro na tela uma recordação
do funcionamento do cérebro da gata. Um desenho com cores marcantes,
vermelho-azul-amarelas, parece impressionar bastante. Maria Semenovna não
sabe como me agradecer. E Silva começa a ficar neurosa.

- Não se preocupa - eu falo para a gata, assim que a porta se fechar atrás
  da visinha. - Você não perderá a voz. Eu vou fazer uma coleira com apenas
  quatro neuro-indutóres para você no lugar do capacete. É suficiente para
  obter o sinal da fala. Poderá andar nele o tempo todo.

Silva se acalma instantaneamente.

Fico sentado, trabalhando, até a manhã. No começo com soldador, depois com
agulha e chave de fenda. Experimentamos a coleira, e começa a crítica. Dizem
que é grosso, pesado, porque você mesmo não experimenta usar um destes...
Nem para agradecer e ficar impressionada - de uma vez, sem depuração,
funcionou na primeira tentativa. Se bem que - se eu mesmo não me agradecer,
ninguém agradecerá. Por isso fico me agradecendo e até ofereço um copo de
café preto para mim mesmo. Silva fica falando que café não é para ser tomado
com copos.

- Apenas os burgueses não podem tomar café assim - me defendo e começo a
  alterar o capacete. Aqui é um trabalho de costuraria pura. Não, fiquei
  contente sedo demais. Tenho que aumentar os fios em alguns lugares. Mas
  mesmo assim é fácil. Fios, obviamente, são muito finos, trabalho como um
  relogereiro. Mas é um trabalho para as mãos, não para a cabeça.

As sete de manhã desligo uma lámpada potente, de duzentos watts, com
refletor, tiro o soldador de trinta e seis volts da tomada, empurro a Silva
para um canto da cama... Não lembro como tirei a roupa e me deitei.

De manhã (isso se duas da tarde ainda é "de manhã") verifico o capacete. Em
mim mesmo. Por muito-muito tempo fico fazendo mágica com os parâmetros do
programa. Cérebro dos gatos, aparentemente, é muito mais diferente do
cérebro humano do que eu pensava. Isso já está além dos limites de
configuração automática do programa. Finalmente, tudo está pronto. Falta um
pouco menos de uma hora para a visita da vizinha. Coloco um controlador de
volume em forma de fio para as caixas de som. Agora a Silva pode tirar o som
sozinha, para não falar alguma coisa de repente na frente dos visitantes.
Silva fica me criticando novamente. Aconcelha a comprar um walkman e o
transformar numa estação de rádio portátil.

- Para que? - fico realmente surpreso.

- Para ninguém perguntar, porque você está sempre com fone de ouvido. Ou
  você prefere que eu fale com você por celular?

- Interessante, mas tenho preguiça de mexer com isso - informo eu. - Vamos
  deixar para depois.

- Vamos almoção - ela oferece uma contra-proposta.

- Vamos - concordo sem animo. - Mas quem cozinha é você.

Silva dá um sorriso maldoso e pula para fora da janela. Volta um segundo
depois, carregando um ratinho na boca.

- Guardei especialmente para você. Jovem, gostosinha!

- Obrigada, querida. Mas ela é tão pequena, e eu sou tão grande... - fico me
  defendendo sem entusiasmo.

- Ontem eu vi um rato grande. Vou caçar agora. Vai comer?

- Desisto, desisto, desisto. Você ganhou.

Silva fecha a cara, contente. Enquanto fico preparando um almoço para dois,
Silva fica me contando a história das fazendas de ratos. Não gosto nem um
pouco da ideia. Se bem que os índios nos livros do Fenimor Cooper comiam os
ratos... Não, não gosto mesmo assim.

Puntualmente às seis chega Maria Semenovna com o neto Dimitri. Eu começo a
me arrepender de ter começado este trabalho. O neto é um retardado claro.
Que nem o pai-alcoolatra. Já ouvimos falar do papai. Deu um filho-down para
a esposa, vendeu metade dos móveis para comprar bebida e foi expulso da
casa. Se bem que não tenho nada a ver com isso. Coloco o capacete e,
enquanto fico prendendo o suporte embaixo do queixo, Dimka fica babando nas
minhas mãos.

- Olha só que capacetezinho bonitinhos temos aqui! Olha só que gatinha
  bonitinha! - fica murmurando Maria Semenovna, enquanto estou ligando o
  computador e configurando o programa. Depois, dedicadamente, durante uns
  dez minutos, fico gravando a imagem tridimencional. Do tédio, fico dando
  uma aula sobre a estrutura do cérebro humano. Maria Semenovna fica
  escutando e limpando a baba do Dimka.

Quando ela parte, tiro umas duas dúzias de imagens tridimencionais da
gravação e faço alguma coisa do tipo um desenho animado delas. Mesmo após
esta edição o meu desenho é muito mais sofisticado do que tudo o que os
equipamentos tradicionais dos médicos conseguem fazer hoje em dia. Mas isso
é legal. Deixa eles verem que alguém tem equipamentos mais sofisticados.
Teremos maior respeito para o paciente.

Durante a noite jogo no notebook os textos do Fenimor Cooper e Carl May.
Silva quer saber quem são indígenas que comiam os ratos.





Silva está com problemas. Gatos detectam alguma coisa estranha nela e saem
correndo. Silva está frustrada, em choque. Eu também não estou entendendo
nada. Mas temos o fato. Apenas o Persik não sai correndo. Mas ele é um
adolecente. Tinager. Foi tirado da mãe com três anos de idade e cresceu com
os humanos. Agora ele é a última esperança da Silva. Minha gatinha fica o
chamando para a nossa casa e fica fazendo carinho na cabeça. Com a pata. E
ainda pergunto em que sentido o comportamento dela é diferente dos gatos
comuns. E Persik fica achando que ela é a mãe dele. Do qual sexo podemos
falar aqui? Somente no próximo verão...

E eu não aguentei, novamente. Na terceira seção após uma gravação comum
liguei o meu programa de estimulação do cérebro. Dei chá para a Maria
Semenovna e, enquanto estavamos tomando... No final da seção Dimka entrou
num estado semi-adormecido. Cabeça se encostou no ombro, começou a babar,
olhar perdido para lugar nenhum. "Cansou, e dormiu" - decidiu Maria
Semenovna. Dava para perceber o quanto ela tinha vergonha do neto. E eu
lembrei que após as primeiras seções a Silva parecia estar no mesmo estado.

No dia seguinte Maria Semenovna levou a Sonia, a mãe do Dimka, junto. Chá
novamente, demonstração de desenhos bonitos, aula sobre a estrutura do
cérebro, sobre as funções da parte externo, interna, talamus e hipotalamus
(tenho que me lembrar de não afetar com a onda estimulante o hipotalamus).
Depois eu tive que aguentar uma aula sobre radiculite e meios tradicionais
de combate com ele. E Dimka estava ficando doido, passando pela segunda
seção da estimulação do cérebro. E assim foi. Eu encontrei um CD com
desenhos da Disney, tirei um sofá do segundo andar e fiz um mini-cinema.
Enquanto os visitantes estavam assistindo desenhos, tomando chá e me
agradecendo com doces, Dimka estava recebendo uma seção de estimulação do
cérebro.

As noites eu ficava sentado, estudando as gravações. Separei em torno de
quarenta centros neurais, comparei, analizei, pesquisei na literatura e não
entendi nada, para falar a verdade. Identifiquei dez centros. Visão,
audição, alfato - aquilo o que eu podia relacionar aos acontecimentos
externos. Tinha mais um problema, além de tudo. Cérebro é uma máquina
sofisticadissima. Quando algum lugar é danificado, os setóres vizinhos
começam a fazer os papeis dele. Eu não devia ter começado os estudos a
partir do cérebro de um idiota. Alias, quanto à trauma de parto - é
besteira. Não tem nem sinal dela. Culpado por tudo é o pai-alcoolatra. Mas
não vou destruir a lenda.

No setemo dia Dimka parou de babar. A atividade das partes externas e
internas do cérebro aumentaram significativamente. Eu fiquei com medo e
parei com as seções de estimulação. Apenas observação. Mas o processo já
tinha começado. Atividade do cérebro não parava de subir.

Duas semanas depois Sonia me disse que não é possível mais reconhecer o
filho. Apareceu coordenação dos movimentos, interesse para o mundo ao redor.
As seções fizeram um efeito literalmenta mágico nele.

- nada a ver, as seções não tem nada a ver com isso. Simplesmente chegou a
  hora certa. Estava acumulando-acumulando, e de repente explodiu. Já ouviu
  falar sobre transformação da quantidade em qualidade? - falava besteiras
  eu, deixando ela na frente do computador. - Newton na infância também era
  atrazado no desenvolvimento. Era fraquinho e doente. Olha só, este é o
  primeiro dia, este é o quinto, aqui nono, decimo-quarto. Dá para ver a
  diferença?

- Me fala, não preciso mais levar ele para um médico?

- Se perceberem que o menino está desenvolvendo de uma maneira errada, tem
  que levar sim - aconcelho eu com segurança. - Cérebro humano é um máquina
  surpreendente. Normalmente ele usa apenas uma porcentagem pequena da
  capacidade dele. Uns dizem que um porcento, outros - que dez. O cérebro do
  Dimka devido a um trauma no parto estava atrazado. Agora um mecanismo
  protetor entrou em ação, e os reservas escondidos do organismo entraram em
  ação. A natureza faz tudo com sobra. Se antes ele estava atrazado no
  desenvolvimento, agora ele estará mais rápido.

- Porque isso começou? O que foi o gatilho que disparou o processo?

- Dificil dizer - fico inventando, sem ficar vermelho. - Talvez, ár fresco,
  vitaminas, frutas frescas. Ou talvez os desenhos que estavamos assistindo
  aqui. Ou mais alguma coisa. Nós sabemos tão pouco sobre o cérebro.

Sonia mexia a cabeça de acordo, e eu mexia o ponteiro do mouse na tela e a
carregava com a terminologia científica. Depois mudei a conversa para um
assunto fácil e claro - brinquedos, construtores, quebra-cabeças... Sonia
concordava e brilhava toda com a alegria materna. Ah, maldita diferença de
idade... Se ela fosse uns quinze anos mais velha... Ainda é uma menina...
Estou velho demais para uma menina.

Credo! A Silva tinha os mesmos problemas. Pequeno e jovem Persik. Dizem que
o gato é igual ao dono. Mas porque ela decidiu que eu estou fanático sobre o
destino da civilização? Não é fanatismo nenhum. Apenas fico pensando em voz
alta de vez em quando...




...Depois de um més o Dimka começou a falar. Logo-logo ele será chamado de
menino genial.

- Ele disse de repente: "Passarinho!". E jogou um cubinho no passarinho -
  quase chorando de alegria, contava Sonia. Eu consegui colocar um sorrizo
  no rosto. Acertar um beija-flor com cubinho - isso não diz sobre uma
  coordenação boa, isso demonstra uma coordenação sobrenatural. Não vou
  discutir, pode ser sorte. Mas mesmo assim... Fala, coordenação... Quais
  outras vantagens eu dei para o Dimka? Não vou ficar surpreso se ele virar
  um génio. E isso após sete sessões. Apenas quatro horas no capacete...

Está frio e vazio na alma. O que vou fazer AGORA?

Será que eu tenho direito de esconder esta descoberta? Ela trará a
humanidade para um nível completamente novo de desenvolvimento! Genialidade
será normal. Os retardados serão curados em poucas seções apenas. Pessoal
que vá para o primeiro ano da escola estará jogando xadrez nos corredores
como os jogadores professionais nos intervalos das áulas. O conceito de
"retardado" desaparecerá. Capacetes-estimuladores melhorarão o nosso mundo.

E logo-logo alguem terá uma brilhante ideia de colocar capacete num
cachorro, cavalo, ursinho no parque zoológico... Vaca olhará com olhar
triste para o dono e dirá: "Não me tirem o filho. Me matem no lugar dele".

O que eu vou fazer com a descoberta?

- Será que é tão dificil decidir? - pergunta Silva, limpando a pata. - Tem
  apenas duas opções. Esconder ou divulgar. Quem um conselho? Coloca o
  capacete na sua cabeça. Se tornará inteligente-inteligente, e tudo estará
  claro.

Colocar capacete em mim mesmo? Não, de jeito nenhum, nunca! Tenho medo. Vai
que não vou me tornar um génio? Será que o cérebro já se acostumou e o
caminho para futuro brilhante está fechado para os velhos?

Ou pelo contrário. Me tornarei um génio. Da mesma maneira acima das pessoas
ao redor o quanto os humanos estão acima dos animais. Seria interessante ver
apenas estupidez no meu redor? Permanecer solitário num mundo de idiotas.
Não, isso não é para mim. Estou velho demais para estes experimentos. Numa
companhia de amigos, talvéz, terei coragem. Mas sozinho - nunca! Apenas
junto com a humanidade inteira. E será que os outros vão querer se tornar
mais inteligentes?

Meu capacete é capaz de transformar a humanidade inteira em génios. E tornar
todos os animais grandes nos seres inteligentes. Os inteligentes vão comer
outros inteligentes. Porque não terá mais nada para comer. Mas mesmo se a
gente resolver o problema de alimentação. Os lobos não vão comer os coelhos.
Antilopas não serão um jantar dos crocodilos. Todos vão se procriar, felizes
e contentes. O que acontecerá com a biosfera?

Olho para um capacete de criança, mal feito, com três dezenas de peças de
rádio e um conjunto de cabos. Este dispositivo é capaz de destruir o nosso
mundo. Não, não é capaz. Destrirá. O mundo se tornará mais inteligente, mais
tecnológico, e mais duro. Mas será ele um mundo melhor?

O que eu faço com este capacete?






(*) Uma música :-).
(**) Parte de uma outra música.




Tradução:

28.07.2004 - 29.07.2004

 
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